{"id":3109,"date":"2018-02-12T19:59:00","date_gmt":"2018-02-12T21:59:00","guid":{"rendered":"http:\/\/acrj2020.profissional.ws\/?p=3109"},"modified":"2021-01-28T10:58:11","modified_gmt":"2021-01-28T13:58:11","slug":"como-fazer-cultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/2018\/02\/12\/como-fazer-cultura\/","title":{"rendered":"Como fazer cultura"},"content":{"rendered":"\n<p>A cada vez que reflito sobre as desditas por que passa a cultura nesta cidade n\u00e3o h\u00e1 como deixar de me inquietar.<\/p>\n\n\n\n<p>E quando me refiro \u00e0 cultura, devo logo sublinhar que meu entendimento de qualquer processo cultural ser\u00e1 sempre transversal, abrangente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 como pensar em editar livro sem leitores adestrados a entend\u00ea-lo. Construir teatros sem forma\u00e7\u00e3o de plat\u00e9ia. Fazer filmes sem locais para exibi-los. Ou erguer museus sem visitantes.<\/p>\n\n\n\n<p>No Rio, qualquer esbo\u00e7o para se agilizarem a\u00e7\u00f5es efetivas em benef\u00edcio da cultura n\u00e3o deve contar com os \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos. Porque falidos, quando n\u00e3o, desinteressados. Quase sempre incapazes de compreender a grandeza da arte do povo, fato especialmente doloroso em uma cidade solar, libert\u00e1ria, livre de preconceitos como a nossa.<\/p>\n\n\n\n<p>Nem me detenho nos detalhes que me irritam sobremaneira, como a falta de vis\u00e3o sobre o carnaval e os folguedos populares.<\/p>\n\n\n\n<p>Paro por aqui o meu desabafo. At\u00e9 porque h\u00e1 uma outra face da moeda. Que consola e nos faz acreditar na cidadania.<\/p>\n\n\n\n<p>Os mecenas existem no Rio, e despontam de organismos particulares. J\u00e1 comentei aqui os benef\u00edcios do SESC, que funciona no Brasil como um Minist\u00e9rio da Cultura ativo e certeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Refiro-me agora ao Cesgranrio, uma institui\u00e7\u00e3o que poderia limitar-se apenas aos vestibulares. Qual o qu\u00ea. H\u00e1 dias me encantei com a entrega do Pr\u00eamio Cesgranrio para Teatro, um evento de congra\u00e7amento para (no m\u00ednimo) a sustenta\u00e7\u00e3o da auto-estima dos nossos atores\/atrizes\/diretores.<\/p>\n\n\n\n<p>Na festa irretoc\u00e1vel, o criador dos Pr\u00eamios e presidente da institui\u00e7\u00e3o, o Prof. Carlos Alberto Serpa, mostrou o dedo do gigante, e provou por A mais B como o mecenato pode fomentar id\u00e9ias e fazer a gest\u00e3o cultural, substituindo com vantagem \u00f3rg\u00e3os oficiais.<\/p>\n\n\n\n<p>Serpa destilou uma programa\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es de dar \u00e1gua na boca. Anunciou a cria\u00e7\u00e3o de dois novos teatros no Rio Comprido, aonde fica a sede (suntuosa, por sinal) do Cesgranrio. Anunciou os nov\u00edssimos Pr\u00eamio Rio de Literatura e de Dan\u00e7a (sim, a dan\u00e7a que jamais foi contemplada). Anunciou a cria\u00e7\u00e3o de Oficina de Atores, al\u00e9m de outros projetos muito originais como M\u00fasica Erudita nas Escolas P\u00fablicas, Orquestra Sinf\u00f4nica Cesgranrio, Oficinas de Cinema para produzir v\u00eddeos hist\u00f3ricos destinados \u00e0s escolas. Anunciou, por fim, a cria\u00e7\u00e3o da Faculdade de Teatro e do Instituto Cultural Cesgranrio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Terminou suas p\u00e9rolas com um toque de mestre, um mestre refinado a preservar a mem\u00f3ria do povo de teatro: a cria\u00e7\u00e3o da edi\u00e7\u00e3o de livros sobre os maiores atores do Brasil, come\u00e7ando com a biografia da diva absoluta Bibi Ferreira, j\u00e1 aos 96 anos de idade. Os aplausos choveram com raz\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ali estava o Serpa a proclamar uma s\u00famula de id\u00e9ias e de realiza\u00e7\u00f5es de tirar o f\u00f4lego. Um homem simples, sem pose majest\u00e1tica, a fazer (sem querer, mas fazendo) o papel individual dos secret\u00e1rios de cultura com que todos sonhamos. E jamais tivemos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-medium-font-size\"><strong>Ricardo Cravo Albin<\/strong><br>Presidente do Conselho Empresarial de Assuntos Culturais da ACRJ<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cada vez que reflito sobre as desditas por que passa a cultura nesta cidade n\u00e3o h\u00e1 como deixar de me inquietar. 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