{"id":3092,"date":"2017-12-25T19:49:00","date_gmt":"2017-12-25T21:49:00","guid":{"rendered":"http:\/\/acrj2020.profissional.ws\/?p=3092"},"modified":"2021-01-28T10:51:30","modified_gmt":"2021-01-28T13:51:30","slug":"o-horror-o-horror","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/2017\/12\/25\/o-horror-o-horror\/","title":{"rendered":"O horror, o horror&#8230;"},"content":{"rendered":"\n<p>Embora cab\u00edveis, n\u00e3o pensem que as duas palavras acima se referem \u00e0 indigna\u00e7\u00e3o pela cidadania ultrajada. Ou pela pris\u00e3o em s\u00e9rie dos pat\u00e9ticos dirigentes do Rio, os de ontem, os de hoje e at\u00e9 os de futuro pr\u00f3ximo.<\/p>\n\n\n\n<p>Tampouco imaginem que estou a me referir \u00e0 vergonha da inseguran\u00e7a p\u00fablica, ao inomin\u00e1vel abandono de itens de ess\u00eancia como escolas e hospitais.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o, este horror de agora \u00e9 um horror menor, mas n\u00e3o menos agressivo para quem cultua a cidade. \u00c9 tamb\u00e9m um esbo\u00e7o poss\u00edvel do desprezo do poder municipal para com os adere\u00e7os que mimoseiam pra\u00e7as e passeios p\u00fablicos, ou seja, as est\u00e1tuas, as obras de arte, as esculturas. Por outro lado, antep\u00f5e-se ao abandono a selvageria dos indiv\u00edduos que as golpeiam sem d\u00f3, nem piedade. T\u00e3o somente para troc\u00e1-las por m\u00edseras moedas em ferro-velho, ou por abjeta maldade, ou ainda para atender a colecionadores hediondos (sim, eles existem), capazes de encomendar a \u201cbandidos\u201d de aluguel a privatiza\u00e7\u00e3o de obras de arte do povo, da cidade, do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Meu amigo Nireu Cavalcanti, zeloso (e corajoso) defensor da hist\u00f3ria e dos bens cariocas, denunciou recentemente o estado de descaso a que nossos acervos de rua s\u00e3o desterrados.<\/p>\n\n\n\n<p>Mantenho interesse quase sacralizado por esses mimos urbanos e costumo cham\u00e1-los de \u201cadere\u00e7os art\u00edsticos das pra\u00e7as\u201d. Ser\u00e3o todos eles suas pulseiras, seus brincos, seus colares. Indispens\u00e1veis, j\u00e1 se v\u00ea, \u00e0 formosura de uma cidade-mulher como a nossa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o pretendo me dar o acabrunhamento de enumerar a destrui\u00e7\u00e3o das centenas, talvez milhares, de joias subtra\u00eddas aos olhos de todos n\u00f3s. D\u00f3i-me, em especial, a brutalidade com que pequenos adornos s\u00e3o destru\u00eddos pela selvageria de meliantes, que, acho, n\u00e3o fica atr\u00e1s da ol\u00edmpica desaten\u00e7\u00e3o municipal. Ao contr\u00e1rio, ambas se conjugam, e potencializam o horror.<\/p>\n\n\n\n<p>Abate-me o destro\u00e7amento de pe\u00e7as de Mestre Valentim, \u00edcones do s\u00e9culo XVIII, em especial as do Passeio P\u00fablico. O Chafariz dos Jacar\u00e9s foi duramente vilipendiado, com animais em bronze sem parte de rabos, dentes. Tamb\u00e9m, meu Deus, a est\u00e1tua de Trit\u00e3o (igualmente valentina), dentro do lago do Passeio, foi condenada a ficar cot\u00f3, com o bra\u00e7o de cobre cortado e roubado. Mas o horror tamb\u00e9m h\u00e1 de ser tributado ao descaso da Prefeitura, n\u00e3o s\u00f3 por conta do chafariz dos Jacar\u00e9s, como tamb\u00e9m pelo abandono do n\u00e3o menos encantador chafariz do Lagarto, praticamente coberto por sujeira, mato-alto, dejetos.<\/p>\n\n\n\n<p>Paro por aqui, propondo uma brev\u00edssima reflex\u00e3o \u00e0 Prefeitura: quando o poder p\u00fablico cuida, limpa, recomp\u00f5e, o cidad\u00e3o tende a limitar sua sanha destruidora.<\/p>\n\n\n\n<p>O exemplo do metr\u00f4, bem tratado e prontamente recuperado de eventuais mal-tratos, serve como modelo. O distinto p\u00fablico se habitua aos bons tratos. E tamb\u00e9m os repete. At\u00e9 por instinto.<\/p>\n\n\n\n<p>Se nossas obras de arte p\u00fablicas merecessem aten\u00e7\u00f5es m\u00e1ximas em cuidados, duvido que o esp\u00edrito predador prosperasse.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez n\u00e3o estiv\u00e9ssemos aqui a bradar \u201co horror, o horror.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-medium-font-size\"><strong>Ricardo Cravo Albin<\/strong><br>Presidente do Conselho de Assuntos Culturais da ACRJ e Presidente do Instituto Cultural Cravo Albin<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Embora cab\u00edveis, n\u00e3o pensem que as duas palavras acima se referem \u00e0 indigna\u00e7\u00e3o pela cidadania ultrajada. 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