{"id":3050,"date":"2017-10-10T19:08:00","date_gmt":"2017-10-10T22:08:00","guid":{"rendered":"http:\/\/acrj2020.profissional.ws\/?p=3050"},"modified":"2021-01-28T10:46:30","modified_gmt":"2021-01-28T13:46:30","slug":"o-brasil-sangrado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/2017\/10\/10\/o-brasil-sangrado\/","title":{"rendered":"O Brasil sa(n)grado"},"content":{"rendered":"\n<p>Para quem o Brasil \u00e9 sagrado e por quem ele sangra?<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 sagrado para quem recebe dele sem trabalhar. Para quem, supostamente, presta-lhe servi\u00e7os, mas dele tira apenas vantagens. Para quem \u00e9 seu fornecedor, de comprador irrespons\u00e1vel e s\u00f3cio nas comiss\u00f5es combinadas. Para quem, com menos de cinquenta anos, j\u00e1 est\u00e1 aposentado. Para quem tem um emprego de fachada e est\u00e1, sempre, \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para nunca trabalhar. Para quem viaja de primeira classe, (por conta da \u201csogra\u201d) embora seja de terceira. Para quem, em nome do povo, faz promessas imposs\u00edveis e enganadoras.<\/p>\n\n\n\n<p>Para quem, embora se diga empres\u00e1rio, vive das benesses dos \u201cesses\u201d sem controles. Para quem consegue contratos generosos, com prazos imorais e dados forjados, firmados por quem, durante o curto mandato, fazem o malfadado \u201cp\u00e9 de meia\u201d . Para quem vende e n\u00e3o entrega. Ou entrega o que n\u00e3o vendeu. Para quem, se dizendo patriota, vive de benef\u00edcios e bicos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 sagrado para quem, n\u00e3o julgado pela demora da justi\u00e7a, desfila garboso e feliz.<\/p>\n\n\n\n<p>Sangra para quem? Para os desajustados. Para os que n\u00e3o foram, de prop\u00f3sito, educados, a fim de se tornarem presas f\u00e1ceis e levadas por quem os quer, na verdade, destruir. Para os que n\u00e3o tem escolas, hospitais, estradas e justi\u00e7a. Para os que n\u00e3o tem futuro. Nem passado. Para quem n\u00e3o frequentou a escola, nem um dia apenas, e se deixou reproduzir, como se vontade de Deus fosse, para formar, de 1970 (noventa milh\u00f5es em a\u00e7\u00e3o, pra frente Brasil\u2026) para hoje, uma outra na\u00e7\u00e3o de mais 200 milh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 servi\u00e7o de quem est\u00e1 esta imensa quantidade de brasileiros que n\u00e3o sabe ler ou, pior, n\u00e3o entende o que l\u00ea? Exatamente para aqueles que n\u00e3o criaram as condi\u00e7\u00f5es normais<br>para seu desenvolvimento pessoal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 sagrado, entretanto, para quem, no conforto de seus \u201cdinheiros\u201d, arrecadados, \u00e0s vezes, nas sombras e nas trevas da impunidade riem, (embora \u201cperdoados\u201d pelos saraus beneficentes) com facilidade, do sofrer eterno dos miser\u00e1veis, iludidos, todas as noites, pelos sonhos das novelas das oito ou pelos pratos inacess\u00edveis dos cozinheiros reluzentes, de paladares coloridos, diversos e inating\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>Sangra por ser um pa\u00eds ultrapassado por outros que investiram na educa\u00e7\u00e3o de seu povo, geradora de sa\u00fade, produtora de conhecimento, exigente com o comportamento pessoal e que dignifica as pessoas. Sangra pela falta de M\u00e3es que, saindo muito cedo de casa, na busca do sustento di\u00e1rio, deixam seus filhos nas m\u00e3os do destino atroz e quando voltam, exaustas, mal tem tempo para lavar as roupas, preparar a comida do outro dia e chorar as l\u00e1grimas sofridas do dia a dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Sangra por n\u00e3o produzir inova\u00e7\u00e3o e por continuar a exportar \u201ccaf\u00e9\u201d, agora na forma de min\u00e9rios, carnes e soja, para um mundo \u00e1vido para comprar mais avi\u00f5es, carros, bicicletas, fog\u00f5es, chuveiros, qualquer coisa, que valesse a pena competir e ganhar. Que deixasse de importar at\u00e9 vassouras. Sangra por n\u00e3o melhorar a produtividade, por n\u00e3o competir no mercado internacional, onde continua patinando abaixo de dois por cento do total mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>Inexpressivo por n\u00e3o participar, efetivamente, deste imenso neg\u00f3cio, pois n\u00e3o inclui nos seus produtos, as pe\u00e7as importadas, t\u00e3o necess\u00e1rias para a disputa da dura competi\u00e7\u00e3o. Em nome, imaginem, da \u201cprote\u00e7\u00e3o\u201d aos supostos \u201cprodutores\u201d nacionais, acobertados e<br>protegidos da incompet\u00eancia pela tal lei da defesa dos \u201ccomponentes nacionais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Sangra para os jovens que sonham em nos deixar para tentar uma vida melhor, com mais perspectiva, em qualquer canto, desde que n\u00e3o seja aqui. Sangra para os que perderam a esperan\u00e7a de um futuro melhor. Sangra para as m\u00e3es e pais que veem seus filhos submetidos a uma inseguran\u00e7a absoluta e \u00e0 uma escola fechada por greve ou medo.<\/p>\n\n\n\n<p>Sangra para os que precisam de Justi\u00e7a, r\u00e1pida e universal, privil\u00e9gio de poucos. Se brancos e ricos. \u00c9 sagrado para os que tem padrinhos, para os que n\u00e3o precisam melhorar para crescer, bastando esperar os tempos generosos das promo\u00e7\u00f5es. Sangra por trocar a esperan\u00e7a pelo medo. A honestidade pelo desvario da corrup\u00e7\u00e3o. O futuro pelo desalento.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao Brasil s\u00f3 resta um destino. A salva\u00e7\u00e3o pela educa\u00e7\u00e3o ou o desespero dos perdedores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-medium-font-size\"> <strong>Antenor Barros Leal<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para quem o Brasil \u00e9 sagrado e por quem ele sangra? \u00c9 sagrado para quem recebe dele sem trabalhar. 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