{"id":30332,"date":"2024-08-30T15:56:14","date_gmt":"2024-08-30T18:56:14","guid":{"rendered":"https:\/\/acrj.org.br\/?p=30332"},"modified":"2024-10-01T11:00:07","modified_gmt":"2024-10-01T14:00:07","slug":"o-rio-da-chegada-de-dom-joao-vi-ao-avatar-do-barao-de-maua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/2024\/08\/30\/o-rio-da-chegada-de-dom-joao-vi-ao-avatar-do-barao-de-maua\/","title":{"rendered":"O Rio, da chegada de Dom Jo\u00e3o VI ao avatar do Bar\u00e3o de Mau\u00e1"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por Reinaldo Paes Barreto, membro do Conselho Empresarial de Cultura da ACRJ<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando D. Jo\u00e3o VI chegou ao Rio, acompanhado da fam\u00edlia, de praticamente toda a Corte de Lisboa e cerca de mais 15 mil portugueses, em mar\u00e7o de 1808, o Rio parecia uma cidade oriental antiga. Confusa, mal cheirosa, com uma infraestrutura p\u00e9ssima, e uma paisagem humana feia: mulheres sentadas no ch\u00e3o fazendo cestos, ou vendendo pequenos objetos de artesanato, e escravos africanos seminus transportando gente, dejetos e pequenos animais. O Rio contava cerca de 46 ruas desalinhadas \u2013 e muito sujas. Tudo somado, perto de 50 mil habitantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Comia-se na rua, em prec\u00e1rias pens\u00f5es ou junto \u00e0s charretes que carregavam cestas e panel\u00f5es fumegantes. Ou na cl\u00e1ssica trilogia do tr\u00eas C \u2013 Casa, Caserna, Convento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com a chegada da Fam\u00edlia Real come\u00e7aram a surgir melhorias imediatas: pra\u00e7as, chafarizes jorrando \u00e1gua, um intendente fazendo as vezes de prefeito e chefe de pol\u00edcia, pens\u00f5es e oferta de PFs. Mas o Rio-Gourmet nasceu bem depois, a partir de 1861, quando o Bar\u00e3o de Mau\u00e1 inaugurou a primeira F\u00e1brica de G\u00e1s. E por que? Porque ao contr\u00e1rio da alimenta\u00e7\u00e3o no sentido estrito, cuja fun\u00e7\u00e3o \u00e9 apenas saciar a fome e mover a m\u00e1quina do organismo, a gastronomia \u00e9 um prazer plural e compartilhado. E com a noite iluminada \u00e0 lampi\u00f5es de g\u00e1s (sem depender do \u201ctiming\u201d das toras de lenha), o Rio passou a receber \u00e0 noite. As mans\u00f5es do Cosme Velho, de Laranjeiras, de Botafogo, do Flamengo e da Gl\u00f3ria, come\u00e7aram a reunir amigos e familiares para jantares regados a cerveja preta portuguesa, vinho do Porto, vermute e licores franceses. E surgiram os saraus: declamava-se poemas traduzidos de Vitor Hugo, Musset, Verlaine, Mallarm\u00e9, e as mo\u00e7oilas mais prendadas tocavam piano e vertiam l\u00e1grimas quando os versos eram tristes&#8230;\u201dO Rio civiliza-se\u201d, escreveu Jo\u00e3o do Rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O dinheiro circulava: os Bar\u00f5es do Caf\u00e9 j\u00e1 n\u00e3o mais guardavam dinheiro nas fazendas (da\u00ed o respectivo minist\u00e9rio chamar-se \u201cda fazenda\u201d), e surgiram os bancos (al\u00e9m do BB, o BCRJ e o BBM) e casas que ofereciam empr\u00e9stimos e penhores. Nesse cen\u00e1rio que despontou a extraordin\u00e1ria figura de Irineu Evangelista de Souza, mais tarde Bar\u00e3o de Mau\u00e1, \u00a0o maior empreendedor do s\u00e9culo XIX brasileiro: um vision\u00e1rio com os p\u00e9s no ch\u00e3o \u2013 e o dinheiro no bolso!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Da pequena fundi\u00e7\u00e3o na Ponta da Areia, em Niter\u00f3i, veio logo depois um estaleiro no mesmo local; seguiram-se as companhias de n\u00edvel internacional. Gra\u00e7as aos empr\u00e9stimos ingleses, o infatig\u00e1vel empres\u00e1rio e banqueiro criou a ind\u00fastria naval no Brasil,&nbsp; a Cia. Fluminense de Transportes,&nbsp; a Cia. de Navega\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia, &nbsp;a Cia. de Ilumina\u00e7\u00e3o a G\u00e1s j\u00e1 referida, o Banco do Brasil, a Estrada de Ferro de Petr\u00f3polis,&nbsp; o Banco Mau\u00e1 em Montevid\u00e9u (ele foi dono de quase todo o Uruguai!) e a Empresa San Paulo Railway (a futura Estrada de Ferro Santos-Jundia\u00ed ) e alguns neg\u00f3cios financeiros. Mas o sucesso \u00e9 perigoso: o Bar\u00e3o mudou-se para a Quinta da Boa Vista, vizinho do Imperador, e um de seus bi\u00f3grafos, o Jorge Caldeira, nos conta que da sua varanda ele controlava quantos coches com visitantes estacionavam no entorno do Pa\u00e7o de S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o, e disputava prest\u00edgio com D. Pedro II. Infelizmente, perdeu o jogo e faliu. Mas essa a hist\u00f3ria menor, que n\u00e3o cabe neste artigo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pois bem: para celebrar os\u00a0 215 de cria\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Comercial do Rio de Janeiro, feitos em julho agora, e chamada por analogia\u00a0 \u201cA Casa de Mau\u00e1\u201d, o atual presidente Josier Vilar, outra \u201cm\u00e1quina\u201d de iniciativas que movimentam a economia criativa do Rio e do estado, decidiu\u00a0organizar o Forum Rio Empreendedor, nos dias 4, 5 e 6 de setembro pr\u00f3ximo. Ser\u00e1 uma prospec\u00e7\u00e3o-radar da complexidade das solu\u00e7\u00f5es e dos desafios de que necessitamos de olho no rel\u00f3gio para compor uma \u00a0agenda positiva e propositiva, a fim de que o Rio recupere o seu um lugar de \u201clocus\u201d ideal para se empreender, para se viver, trabalhar, ganhar dinheiro, descansar e\/ou se divertir.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"448\" height=\"635\" src=\"https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/avatar.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-30344\" style=\"width:250px\" srcset=\"https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/avatar.png 448w, https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/avatar-212x300.png 212w\" sizes=\"(max-width: 448px) 100vw, 448px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem do avatar do Bar\u00e3o de Mau\u00e1<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E a materializa\u00e7\u00e3o desse bom paradoxo, ser\u00e1 a presen\u00e7a em 3D de um avatar criado especialmente pela empresa Euvatar, uma pioneira no g\u00eanero que j\u00e1 gerou 10 prot\u00f3tipos e \u00e9 refer\u00eancia internacional, e que estar\u00e1&nbsp; \u201chabilitado\u201d pela IA a responder \u00e0s perguntas de v\u00e1rios debatedores que ir\u00e3o indagar do vision\u00e1rio Bar\u00e3o como ele enfrentaria a problem\u00e1tica da seguran\u00e7a, da influ\u00eancia das mil\u00edcias\/PCC, dos \u201cnem-nem\u201d, do desequil\u00edbrio de g\u00eanero em termos de empregabilidade, do preconceito de certos moradores dos bairros nobres com a presen\u00e7a das periferias nos espa\u00e7os comuns e, enfim, da humaniza\u00e7\u00e3o dos chatbots que mandam mensagens de anivers\u00e1rio do tipo \u201c n\u00e3o me esqueci de voc\u00ea\u201d!!!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quase chorei de emo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Reinaldo Paes Barreto, membro do Conselho Empresarial de Cultura da ACRJ<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":30333,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[12,82],"tags":[],"class_list":["post-30332","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-destaque_artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30332","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30332"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30332\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/30333"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30332"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30332"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30332"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}