{"id":3003,"date":"2019-04-26T18:11:00","date_gmt":"2019-04-26T21:11:00","guid":{"rendered":"http:\/\/acrj2020.profissional.ws\/?p=3003"},"modified":"2020-03-01T18:13:17","modified_gmt":"2020-03-01T21:13:17","slug":"normalizar-juros-no-brasil-desafio-para-o-governo-bolsonaro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/2019\/04\/26\/normalizar-juros-no-brasil-desafio-para-o-governo-bolsonaro\/","title":{"rendered":"\u201cNormalizar\u201d juros no Brasil \u2013 desafio para o governo Bolsonaro"},"content":{"rendered":"\n<p>Embora a taxa Selic, ferramenta por meio da qual o Banco Central tenta influenciar toda estrutura dos juros praticados no mercado financeiro, esteja no patamar de 6,5% ao ano, m\u00ednimo hist\u00f3rico, o custo do cr\u00e9dito no Brasil continua entre os mais elevados do mundo. O que mostra que a Selic est\u00e1 longe de poder ser considerada um \u201cpiso\u201d para os juros no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Felizmente, o Presidente do BC, Campos Neto, parece admitir que ainda h\u00e1 espa\u00e7o reduzir os juros, sem preju\u00edzo do controle da infla\u00e7\u00e3o. Entretanto, n\u00e3o pode ser uma redu\u00e7\u00e3o na base do \u201cvoluntarismo\u201d, como fez Dilma Roussef (que levou a infla\u00e7\u00e3o aos dois d\u00edgitos), mas sim por meio da implementa\u00e7\u00e3o de medidas simult\u00e2neas, em v\u00e1rias frentes, que devem incluir a diversifica\u00e7\u00e3o dos bancos.<\/p>\n\n\n\n<p>As op\u00e7\u00f5es com esse intuito s\u00e3o: redu\u00e7\u00e3o dos percentuais das reservas compuls\u00f3rias dos bancos (que s\u00e3o excessivamente elevados no Brasil), redu\u00e7\u00e3o da tributa\u00e7\u00e3o sobre ativos financeiros, aumento da competi\u00e7\u00e3o entre os intermedi\u00e1rios financeiros, amplo programa de conscientiza\u00e7\u00e3o do p\u00fablico sobre os males do endividamento a juros elevados, dissemina\u00e7\u00e3o do cadastro positivo e orienta\u00e7\u00e3o aos intermedi\u00e1rios financeiros (com normas e orienta\u00e7\u00f5es verbais) para que deixem de estimular o endividamento dos seus clientes a juros elevados, entre outras.<\/p>\n\n\n\n<p>Enfim, h\u00e1 uma ampla agenda de trabalho para um BC que queira, efetivamente, \u201cnormalizar\u201d (por \u201cnormalizar\u201d o patamar dos juros, no caso brasileiro, entenda-se reduzi-los at\u00e9 n\u00edveis mais pr\u00f3ximos dos praticados nos principais mercados financeiros) os juros no Brasil e que n\u00e3o se conforme em conviver com os juros mais elevados do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Houve tempo, ali\u00e1s, quando a SELIC era o dobro da atual e alguns eminentes economistas brasileiros chegaram a \u201ccalcular\u201d qual seria o \u201cjuro real de equil\u00edbrio sustent\u00e1vel\u201d. Utilizando modelos matem\u00e1ticos sofisticados, concluiram, \u201ccientificamente\u201d, que o n\u00edvel do juro b\u00e1sico real do Banco Central, sustent\u00e1vel, girava em torno de 8%, abaixo do qual a reacelera\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o seria inevit\u00e1vel!<\/p>\n\n\n\n<p>Esse tipo de postura (confort\u00e1vel no curto e m\u00e9dio prazos) de colocar em pr\u00e1tica a teoria de que a simples manipula\u00e7\u00e3o da taxa Selic seria capaz de garantir o controle da infla\u00e7\u00e3o foi, sem d\u00favida, respons\u00e1vel pelo crescimento acelerado da d\u00edvida p\u00fablica. A teoria at\u00e9 est\u00e1 correta, como diria Milton Friedman. Sempre haver\u00e1 um n\u00edvel para a Selic capaz de fazer a infla\u00e7\u00e3o se estabilizar, ou desacelerar. Isso foi colocado em pr\u00e1tica, no Brasil, por mais de duas d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<p>A infla\u00e7\u00e3o ficou controlada, mas a um custo que nos coloca, agora, diante de uma d\u00edvida p\u00fablica gigante e de alto custo. Evitar que a d\u00edvida p\u00fablica brasileira cres\u00e7a em bola de neve \u00e9 um dos grandes desafios do Ministro Paulo Guedes. Como o pr\u00f3prio Ministro costuma lembrar: h\u00e1 vinte anos atr\u00e1s seria f\u00e1cil, hoje, ainda \u00e9 poss\u00edvel, mas bem mais dif\u00edcil. Sem a aprova\u00e7\u00e3o da Nova Previd\u00eancia, por exemplo, nada feito.<\/p>\n\n\n\n<p>Por mais de vinte anos, o BC, como institui\u00e7\u00e3o supervisora do sistema financeiro, sinalizou, ao mercado, que \u201cbancos pequenos eram invi\u00e1veis\u201d, uma conceitua\u00e7\u00e3o conveniente e equivocada, a meu ver. Acredito que banco s\u00f3lido n\u00e3o \u00e9, necessariamente, banco grande, mas sim banco bem administrado, com boa t\u00e9cnica e rigor \u00e9tico.<\/p>\n\n\n\n<p>Campos Neto informa que pretende estimular a competi\u00e7\u00e3o no mercado financeiro, atrav\u00e9s dos bancos digitais. Isso pode representar, certamente, uma das in\u00fameras frentes de trabalho para o BC atingir seu objetivo de \u201cnormalizar\u201d a taxa de juro no Brasil, sem preju\u00edzo da higidez do sistema banc\u00e1rio e da estabilidade dos pre\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>O aumento da \u201cefici\u00eancia operacional\u201d do sistema financeiro deve ser um objetivo permanente da autoridade monet\u00e1ria para que seja cada vez menor o diferencial entre os juros recebidos pelo poupador e os pagos pelo tomador de financiamentos a juros de mercado.<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil atravessa uma etapa de mudan\u00e7as estruturais que pode gerar um \u201cciclo virtuoso\u201d de crescimento sustent\u00e1vel, com melhor distribui\u00e7\u00e3o da renda. A \u201cnormaliza\u00e7\u00e3o\u201d dos juros praticados na economia brasileira tamb\u00e9m deve fazer parte da agenda de mudan\u00e7as estruturais necess\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-medium-font-size\"><strong>Alberto Furuguem<\/strong><br>Economista, p\u00f3s-graduado pela EPGE\/FGV,\u00a0Benem\u00e9rito, Membro do Conselho Superior e Vice-Presidente do Conselho Empresarial de Pol\u00edticas Econ\u00f4micas da ACRJ.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Embora a taxa Selic, ferramenta por meio da qual o Banco Central tenta influenciar toda estrutura dos juros praticados no mercado financeiro, esteja no patamar&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3004,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-3003","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3003","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3003"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3003\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3004"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3003"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3003"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3003"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}