{"id":2919,"date":"2018-03-02T14:57:00","date_gmt":"2018-03-02T17:57:00","guid":{"rendered":"http:\/\/acrj2020.profissional.ws\/?p=2919"},"modified":"2021-01-28T10:58:11","modified_gmt":"2021-01-28T13:58:11","slug":"a-intervencao-da-pf","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/2018\/03\/02\/a-intervencao-da-pf\/","title":{"rendered":"A interven\u00e7\u00e3o da PF"},"content":{"rendered":"\n<p>Est\u00e1 nas m\u00e3os da Associa\u00e7\u00e3o Comercial do Rio um plano simples e barato para conter o crime organizado na cidade. O documento \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria de policiais federais aposentados. A corpora\u00e7\u00e3o acumula desaven\u00e7as hist\u00f3ricas com as For\u00e7as Armadas no tema, mas coube a um ex-delegado da PF, Jos\u00e9 Mariano Beltrame, a condu\u00e7\u00e3o daquele que foi, at\u00e9 aqui, o plano mais bem sucedido do Rio nesta \u00e1rea. Protagonista no combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, a PF foi preterida por um governo que est\u00e1 no olho do furac\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O documento converge com a tropa do general Braga Neto na percep\u00e7\u00e3o de que sem integra\u00e7\u00e3o entre as for\u00e7as policiais e de seguran\u00e7a n\u00e3o se vai a lugar algum, mas faz propostas ainda n\u00e3o contempladas naquilo que foi tornado p\u00fablico da interven\u00e7\u00e3o militar.<\/p>\n\n\n\n<p>A come\u00e7ar do efetivo policial. A ONU recomenda uma m\u00e9dia de um policial militar para cada 450 habitantes. O Rio tem um para cada 355. Parece suficiente. S\u00f3 que n\u00e3o. O interventor anunciou que j\u00e1 est\u00e1 em curso a volta de policiais cedidos a outros \u00f3rg\u00e3os da administra\u00e7\u00e3o. Mas a medida ter\u00e1 pouca efic\u00e1cia se os policiais continuarem a cumprir dupla jornada.<\/p>\n\n\n\n<p>O plano apresentado pelos ex-policiais federais prev\u00ea um regime de dedica\u00e7\u00e3o exclusiva para policiais civis e militares. Do jeito que est\u00e1 hoje, o emprego de policial no Rio virou um bico. Na melhor das hip\u00f3teses, os policiais trabalham em empresas de seguran\u00e7a privada ou delas s\u00e3o propriet\u00e1rios. S\u00e3o contratados por muitos dos s\u00f3cios das associa\u00e7\u00f5es comerciais. Na pior, s\u00e3o empregados e empres\u00e1rios do crime. N\u00e3o \u00e9 uma norma estadual que coibir\u00e1 a segunda hip\u00f3tese mas a exist\u00eancia de policiais que dormem na viatura ou largam miss\u00f5es mais longas para bater o ponto em outro servi\u00e7o n\u00e3o \u00e9 um bom come\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ter a mesma dedica\u00e7\u00e3o exclusiva que um PF, est\u00e1 todo mundo de acordo que o policial militar precisa ser gratificado. Isso tem um custo, mas a manuten\u00e7\u00e3o de tropas militares tamb\u00e9m o tem. A log\u00edstica das For\u00e7as Armadas imp\u00f5e comandos mais hierarquizados e deslocamentos mais numerosos do que a mobilidade t\u00e1tica de opera\u00e7\u00f5es urbanas exige.<\/p>\n\n\n\n<p>O documento que a Associa\u00e7\u00e3o Comercial do Rio deve encaminhar ao general Braga Neto questiona a efic\u00e1cia de opera\u00e7\u00f5es ostensivas com caveir\u00f5es nas favelas e sangue nas vielas. Aposta nas opera\u00e7\u00f5es de intelig\u00eancia que capturem as lideran\u00e7as longe dos seus bunkers no morro, a exemplo do que o PCC faz com seus comparsas tra\u00edras.<\/p>\n\n\n\n<p>O texto oferece como paradigma para a nova atitude das for\u00e7as de seguran\u00e7a uma opera\u00e7\u00e3o em Rio das Pedras, quartel-general das mil\u00edcias. Cumprindo todas as cautelas legais e, na presen\u00e7a de moradores, caberia \u00e0 opera\u00e7\u00e3o desativar as \u00e1rvores de Natal em que se transformaram os postes da rede el\u00e9trica em Rio das Pedras, com suas liga\u00e7\u00f5es clandestinas de energia, telefonia e TVs a cabo. A opera\u00e7\u00e3o, que seria precedida pela identifica\u00e7\u00e3o e responsabiliza\u00e7\u00e3o dos milicianos, seria complementada pela orienta\u00e7\u00e3o aos usu\u00e1rios para a regulariza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>O documento n\u00e3o se limita ao crime organizado. Prefeitos que constroem ciclovias de papel-mach\u00ea ou aqueles que perseguem pichadores mas incorporam terrenos p\u00fablicos \u00e0 sua casa de campo n\u00e3o escapariam ao escopo definido pelo documento como perpetradores de amea\u00e7as \u00e0 seguran\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>O texto inclui viadutos que despencam, a falsifica\u00e7\u00e3o de medicamentos e mercadorias, a quebra de contratos, a constru\u00e7\u00e3o irregular em \u00e1reas de risco, a ocupa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os p\u00fablicos, o com\u00e9rcio ilegal de mercadorias roubadas e a viola\u00e7\u00e3o do direito de propriedade como infra\u00e7\u00f5es que conduzem a um clima prop\u00edcio ao crime e \u00e0 viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Paulo Lacerda, ex-diretor da Pol\u00edcia Federal, encabe\u00e7a as assinaturas do documento de 25 p\u00e1ginas. O grupo \u00e9 composto ainda por Antonio Celso dos Santos, o ex-delegado que comandou a captura da quadrilha que roubou R$ 155 milh\u00f5es reais do Banco Central em Fortaleza; Wilson Damazio, ex-delegado que comandou a Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica de Pernambuco na mais dr\u00e1stica redu\u00e7\u00e3o de homic\u00eddios da d\u00e9cada, o perito Daelson Viana e o agente Luiz Fernando Siqueira. arece desnecess\u00e1rio que \u00e0 colet\u00e2nea de processos que aguardam o presidente Michel Temer a partir de 1 de janeiro de 2019 se some uma a\u00e7\u00e3o por obstru\u00e7\u00e3o de justi\u00e7a. Mas a amea\u00e7a n\u00e3o basta para explicar a sa\u00edda de Fernando Seg\u00f3via do comando da Pol\u00edcia Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto permaneceu \u00e0 espera do cargo, o novo diretor-geral da PF, Rog\u00e9rio Galloro acumulou desaven\u00e7as com seu antecessor na \u00e1rea de repatria\u00e7\u00e3o de ativos. A suada costura para a escolha n\u00e3o lhe assegura a almejada independ\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>O novo diretor-geral herda ainda uma corpora\u00e7\u00e3o dividida e enfraquecida por rachas que se aprofundaram ao longo do breve e pol\u00eamico mandato de Seg\u00f3via. O ex-diretor-geral aplaudiu o novo ministro da Seguran\u00e7a P\u00fablica e com ele despachou normalmente para ser demitido horas depois.<\/p>\n\n\n\n<p>A mudan\u00e7a para uma estrutura ministerial mais desafogada que a Justi\u00e7a era uma velha demanda da PF, mas o desapre\u00e7o respingou na corpora\u00e7\u00e3o. O partido que queria estancar a sangria caminha para encerrar seu mandato com um Judici\u00e1rio avariado pelo aux\u00edlio moradia e uma Pol\u00edcia Federal talhada por traum\u00e1tica sucess\u00e3o. Com as atribui\u00e7\u00f5es que passa a ter, Raul Jungmann ganha ares de superministro na coordena\u00e7\u00e3o da bandeira com a qual o presidente Michel Temer pretende ter voz na sua pr\u00f3pria sucess\u00e3o. Expoente do PPS, o novo ministro \u00e9 tamb\u00e9m uma ponte de Temer com o grupo que se mant\u00e9m em torno do apresentador Luciano Huck, com quem falou longamente ontem \u00e0 tarde por telefone. Ao contr\u00e1rio da maioria das pessoas que reuniu ao longo de seu vai e vem, Huck aposta no PPS e n\u00e3o no Rede para viabilizar a bancada que o movimento pretende eleger.<\/p>\n\n\n\n<p>O an\u00fancio de Jungmann de que o economista Arm\u00ednio Fraga ser\u00e1 o colaborador de sua gest\u00e3o na Seguran\u00e7a P\u00fablica s\u00f3 refor\u00e7a a ponte que o governo Temer busca. O principal nome do movimento que ainda peleja para ter for\u00e7a na sucess\u00e3o majorit\u00e1ria e no Congresso ainda descr\u00ea da viabilidade eleitoral do governador Geraldo Alckmin e n\u00e3o deve se manifestar publicamente em sua defesa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-medium-font-size\"><strong>Maria Cristina Fernandes<\/strong><br>Valor Econ\u00f4mico (http:\/\/www.valor.com.br\/politica\/5354309\/intervencao-da-pf)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Est\u00e1 nas m\u00e3os da Associa\u00e7\u00e3o Comercial do Rio um plano simples e barato para conter o crime organizado na cidade. 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