{"id":28951,"date":"2024-07-30T09:00:00","date_gmt":"2024-07-30T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/acrj.org.br\/?p=28951"},"modified":"2024-11-18T21:51:33","modified_gmt":"2024-11-19T00:51:33","slug":"mario-quintana-poesia-numa-hora-dessas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/2024\/07\/30\/mario-quintana-poesia-numa-hora-dessas\/","title":{"rendered":"M\u00e1rio Quintana (poesia numa hora dessas?)"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Reinaldo Paes Barreto, membro do Conselho Empresarial de Cultura da ACRJ<\/p>\n\n\n\n<p>Dia 30 de julho deveria ser feriado nacional: \u00e9 a data em que nasceu (1906) no Alegrete, Rio Grande do Sul, o poeta da singeleza e do lirismo coloquial, M\u00e1rio Quintana. Aos 20 anos foi morar em Porto Alegre aonde viveu o resto da vida. Morreu em 1994, aos 87 anos. Tentou entrar tr\u00eas vezes na Academia Brasileira de Letras, e tr\u00eas vezes perdeu a elei\u00e7\u00e3o. Na quarta, foi ele que n\u00e3o quis&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Em compensa\u00e7\u00e3o, desabafou: <strong>\u201c<\/strong><em>todos estes que a\u00ed est\u00e3o\/atravancando o meu caminho\/Eles passar\u00e3o\/Eu passarinho.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Mario Quintana nunca se casou, nunca teve filhos, nunca teve uma casa \u201cpra chamar e sua.\u201d Morou no Hotel Majestic de 1968 a 1980, saiu de forma pouco elegante (por parte do hotel). Foi ent\u00e3o para o Hotel Presidente por quatro anos de l\u00e1 para Hotel Royal, do jogador Falc\u00e3o, que o convidou para residir l\u00e1, sem custos e, finalmente, para o Porto Alegre Residence Hotel, aonde viveu a \u00faltima d\u00e9cada de sua vida.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p><strong>Da Felicidade<\/strong><br>&#8220;<em>Quantas vezes a gente, em busca da ventura,<br>Procede tal e qual o avozinho infeliz:<br>Em v\u00e3o, por toda parte, os \u00f3culos procura<br>Tendo-os na ponta do nariz!<\/em>&#8220;<\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p>Mario Quintana foi muito mais do que (s\u00f3) poeta: foi jornalista do Correio do Povo, com a sua coluna Caderno H; foi tradutor &#8211; traduziu Proust, Virg\u00ednia Woolf e Voltaire &#8211; dentre outros. E poetou muito.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p><strong>Poema \u201cSe for&#8230;\u201d<\/strong><br>&#8220;<em>Se for para esquentar, que seja o sol;<br>Se for para enganar, que seja o est\u00f4mago;<br>Se for para chorar, que seja de alegria;<br>Se for para mentir, que seja a idade;<br>Se for para roubar, que se roube um beijo;<br>Se for para perder, que seja o medo;<br>Se for para cair, que seja na gandaia;<br>Se existir guerra, que seja de travesseiros;<br>Se existir fome, que seja de amor;<br>Se for para ser feliz, que seja o tempo todo!!<\/em>&#8220;<\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p>Mas al\u00e9m de poesia \u201coficial\u201d, foi um maravilhoso fazedor de frases e pensamentos po\u00e9tico:<\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8211; \u201cSe me esqueceres, s\u00f3 uma coisa, esquece-me bem devagarinho\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8211; \u201cE de madrugada, o rel\u00f3gio da sala pergunta para o da cozinha: que horas s\u00e3o?&#8221; (Cita\u00e7\u00e3o livre, n\u00e3o sei se exatamente)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8211; \u201cA mentira (\u00e0s vezes) \u00e9 uma verdade que se esqueceu de acontecer&#8230;<\/em>&#8220;<\/p>\n\n\n\n<p>Mario Quintana andava pelas ruas de Porto Alegre \u201ccatando poesia\u201d; fumava bastante, bebia idem. Gostava de comida popular, mas tamb\u00e9m de lagosta. E de frutas. Escreveu muitos livros, ganhou os Pr\u00eamios Machado de Assis e Jabuti.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Obras<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Rua dos Cataventos (1940)<\/p>\n\n\n\n<p>Can\u00e7\u00f5es (1945)<\/p>\n\n\n\n<p>Sapato Florido (1947)<\/p>\n\n\n\n<p>Espelho M\u00e1gico (1951)<\/p>\n\n\n\n<p>Batalh\u00e3o das Letras (1948)<\/p>\n\n\n\n<p>O Aprendiz de Feiticeiro (1950)<\/p>\n\n\n\n<p>Poesias (1962)<\/p>\n\n\n\n<p>P\u00e9 de Pil\u00e3o (1968)<\/p>\n\n\n\n<p>Quintanares (1976)<\/p>\n\n\n\n<p>Esconderijos do Tempo (1980)<\/p>\n\n\n\n<p>Nova Antologia Po\u00e9tica (1982)<\/p>\n\n\n\n<p>Nariz de Vidro (1984)<\/p>\n\n\n\n<p>Ba\u00fa de Espantos (1986)<\/p>\n\n\n\n<p>Preparativos de Viagem (1987)<\/p>\n\n\n\n<p>Vel\u00f3rio sem Defunto (1990)<\/p>\n\n\n\n<p>Finalizo com o seu poema mais famoso, talvez, que est\u00e1 no primeiro livro, de 1940:&nbsp; <strong>A Rua dos Cataventos,<\/strong> que come\u00e7a assim:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p>\u201cDa vez primeira em que me assassinaram,<br>Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.<br>Depois, a cada vez que me mataram,<br>Foram levando qualquer coisa minha\u201d.<\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p>Mario Quintana morreu aos 87 anos, v\u00edtima de um AVC, mas nos deixou uma esperan\u00e7a de rev\u00ea-lo: <strong><em>quando a gente morre, o outro mundo \u00e9 este.<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Assuntos-culturais_vice-Reinaldo-Paes-Barreto-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5005\" style=\"width:350px\" srcset=\"https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Assuntos-culturais_vice-Reinaldo-Paes-Barreto-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Assuntos-culturais_vice-Reinaldo-Paes-Barreto-600x400.jpg 600w, https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Assuntos-culturais_vice-Reinaldo-Paes-Barreto-300x200.jpg 300w, https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Assuntos-culturais_vice-Reinaldo-Paes-Barreto-768x512.jpg 768w, https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Assuntos-culturais_vice-Reinaldo-Paes-Barreto.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Reinaldo Paes Barreto tamb\u00e9m \u00e9 assessor da diretoria executiva do INPI<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Reinaldo Paes Barreto, membro do Conselho Empresarial de Cultura da ACRJ<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":28952,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-28951","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28951","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28951"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28951\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/28952"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28951"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28951"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28951"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}