{"id":26856,"date":"2024-06-18T14:09:53","date_gmt":"2024-06-18T17:09:53","guid":{"rendered":"https:\/\/acrj.org.br\/?p=26856"},"modified":"2024-10-01T11:00:33","modified_gmt":"2024-10-01T14:00:33","slug":"26856","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/2024\/06\/18\/26856\/","title":{"rendered":"A import\u00e2ncia de voltar ao passado para entender por que o Brasil continua no Radar"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Michelle Fernandes, presidente do Conselho Empresarial de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais e Com\u00e9rcio Exterior da ACRJ\u00a0<br><\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 o in\u00edcio dos anos 90, na era Collor, pilhas e mais pilhas de documentos enchiam as mesas e o ambiente de trabalho dos profissionais de com\u00e9rcio exterior. Iniciava-se um novo tempo. O bloco econ\u00f4mico Mercosul rec\u00e9m-criado, em 1991, trazia muitas esperan\u00e7as econ\u00f4micas.&nbsp;O Brasil experimentava as compras no exterior. Os produtos importados chegavam ao Brasil em grandes quantidades, e n\u00e3o eram \u201cMade in Paraguay\u201d n\u00e3o tinham como origem o Paraguai.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2005, tive o primeiro contato com os BRIC ap\u00f3s ler um livro do economista brit\u00e2nico Jim O&#8217;Neill. At\u00e9 aquele momento, o acr\u00f4nimo criado por ele em 2001 n\u00e3o era um acordo internacional. A escolha do nome e da ordem das letras foi proposital, pois soa exatamente como a palavra brick &#8211; tijolo, em ingl\u00eas. O criador do termo acreditava que, em algumas d\u00e9cadas, esses pa\u00edses seriam a base da economia mundial, os tijolos com os quais a economia moderna estaria edificada.<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00e9poca, a \u00c1frica do Sul ainda n\u00e3o fazia parte do grupo, integrando-o mais tarde e adicionando o \u201cS\u201d de South Africa ao acr\u00f4nimo. Vision\u00e1rio e de olho nos n\u00fameros, Jim O\u2019Neill juntou grandes futuras pot\u00eancias globais, que formavam mais de 40% da popula\u00e7\u00e3o mundial e possu\u00edam milh\u00f5es de pessoas sofrendo com a fome e a mis\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, esses pa\u00edses apresentavam um ritmo alt\u00edssimo de crescimento, sucessivos aumentos no IDH (\u00cdndice de Desenvolvimento Humano), no PIB (Produto Interno Bruto) e na renda per capita. Com a ascens\u00e3o da \u00c1sia, os pa\u00edses pertencentes ao acordo ficaram mais evidenciados, principalmente por estarem em fase de transi\u00e7\u00e3o de pa\u00edses subdesenvolvidos para pa\u00edses em desenvolvimento. As economias emergentes se tornaram protagonistas no cen\u00e1rio mundial, fato relatado em 2008, no auge dos BRICS, pelo cientista pol\u00edtico Fareed Zakaria em seu livro Best Seller, \u201cO mundo p\u00f3s-americano\u201d. Era o fim do imp\u00e9rio econ\u00f4mico americano para a entrada do novo. Na \u00e9poca, a China dava as cartas, seguida da R\u00fassia e do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>O tempo passou, as economias mudaram, a globaliza\u00e7\u00e3o mudou a maneira de pensar a economia e os mercados se diversificaram, mas o fato \u00e9 que Jim O&#8217;Neill n\u00e3o estava errado. A China cresceu amparada em subs\u00eddios e vendendo produtos de baixo valor agregado. Ganhou for\u00e7a, robustez e investiu em tecnologia e patentes. Hoje, est\u00e1 no topo das rela\u00e7\u00f5es comerciais. Tornou-se o principal e primeiro parceiro comercial do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00cdndia segue a mesma linha, j\u00e1 lidera na ind\u00fastria farmac\u00eautica, TI &#8211; tecnologia da informa\u00e7\u00e3o e espacial e em outros segmentos, como o cinematogr\u00e1fico com Bollywood.<\/p>\n\n\n\n<p>A R\u00fassia, por sua vez, escolheu o conflito, busca expans\u00e3o territorial e acaba deixando uma lacuna e interroga\u00e7\u00e3o no acr\u00f4nimo, ficando impossibilitada de fazer neg\u00f3cios com diversos pa\u00edses no mundo, devido \u00e0s suas san\u00e7\u00f5es. O grupo dos BRICS atualmente vislumbra novos entrantes e se abre para novos pa\u00edses. Podemos dizer, que se atualiza dentro do novo cen\u00e1rio econ\u00f4mico global.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A guerra comercial entre China e Estados Unidos, citada pelo cientista Fareed Zakaria, continua ditando o ritmo da ascens\u00e3o dos pa\u00edses subdesenvolvidos e em desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<p>No contexto internacional atual, a China busca outra na\u00e7\u00e3o para ampliar os seus neg\u00f3cios, tendo em vista que a rela\u00e7\u00e3o comercial com os EUA est\u00e1 se deteriorando a cada dia.Diante do exposto, por que devemos acreditar que o Brasil est\u00e1 no Radar global?<\/p>\n\n\n\n<p>Primeiro, n\u00e3o devemos falar no futuro, pois \u00e9 algo que j\u00e1 est\u00e1 acontecendo. J\u00e1 somos o principal parceiro comercial da China e estamos no G20, entre as 20 maiores economias do mundo. Devemos ampliar a vis\u00e3o, ter um olhar macro, ver o mundo e as rela\u00e7\u00f5es internacionais como um todo.<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil tem um atrativo log\u00edstico interessante, pois possui grandes dimens\u00f5es continentais e uma costa mar\u00edtima com 7.491 quil\u00f4metros de extens\u00e3o. \u00c9 um pa\u00eds que n\u00e3o tem guerras, somos considerados o amigo de todos. Nossas rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas fluem bem. Temos muita m\u00e3o de obra, ainda um pouco desqualificada, mas em prepara\u00e7\u00e3o. Estamos trabalhando para resolver os problemas internos como o Custo Brasil, que iniciamos com a reforma tribut\u00e1ria, um dos pilares importantes do com\u00e9rcio exterior brasileiro para ganharmos mais espa\u00e7o no mercado internacional e atrairmos investimentos. J\u00e1 identificamos que \u00e9 extremamente importante termos seguran\u00e7a jur\u00eddica e pol\u00edtica para grandes empresas se instalarem aqui e termos cr\u00e9dito mundo afora.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Estamos passando por uma grande mudan\u00e7a de mentalidade, conseguimos, finalmente, enxergar o mercado externo e a cultura exportadora como excelentes oportunidades para os produtos manufaturados brasileiros.O nosso agroneg\u00f3cio vem ganhando for\u00e7a com a tecnologia, j\u00e1 somos refer\u00eancia em alguns segmentos. Os investimentos em infraestrutura log\u00edstica v\u00eam crescendo, amparados em nossa balan\u00e7a comercial superavit\u00e1ria.Por todos esses motivos, devemos acreditar que o Brasil se desponta e ainda est\u00e1 no RADAR global.<\/p>\n\n\n\n<p>Artigo publicado originalmente no <strong><a href=\"https:\/\/www.ultimahoraonline.com.br\/noticia\/a-importancia-de-voltar-ao-passado-para-entender-por-que-o-brasil-continua-no-radar\">\u00daltima Hora on line <\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"546\" height=\"562\" src=\"https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Michelle.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-26857\" style=\"width:358px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Michelle.jpeg 546w, https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Michelle-291x300.jpeg 291w\" sizes=\"(max-width: 546px) 100vw, 546px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Michelle Fernandes \u00e9 CEO Get Global Trading, <br>mediadora e professora na BSSP<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Michelle Fernandes, presidente do Conselho de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais e Com\u00e9rcio Exterior da ACRJ\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":26868,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[12,82],"tags":[],"class_list":["post-26856","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-destaque_artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26856","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26856"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26856\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26868"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26856"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26856"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26856"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}