{"id":24814,"date":"2024-04-22T06:00:00","date_gmt":"2024-04-22T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/acrj.org.br\/?p=24814"},"modified":"2025-01-10T11:38:22","modified_gmt":"2025-01-10T14:38:22","slug":"o-descobrimento-curiosidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/2024\/04\/22\/o-descobrimento-curiosidades\/","title":{"rendered":"O Descobrimento: curiosidades"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Por Reinaldo Paes Barreto &#8211; membro do Conselho Empresarial de Cultura da ACRJ<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A primeira n\u00e3o \u00e9 uma curiosidade: \u00e9 uma impropriedade, j\u00e1 que n\u00e3o foi um descobrimento lato sensu (salvo de uma perspectiva \u201clusoc\u00eantrica\u201d), porque o territ\u00f3rio j\u00e1 existia e era habitado por milhares de \u201cpovos origin\u00e1rios\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a segunda j\u00e1 \u00e9: Cabral n\u00e3o era um \u201cmaluc\u00e3o\u201d que resolveu atravessar o oceano para ver o que tinha do outro lado, e nem as Grandes Navega\u00e7\u00f5es foram um impulso apenas rom\u00e2ntico, para \u201cdar novos mundos ao mundo\u201d. Quando bem-sucedidas, o sujeito ganhava uma boa grana e Portugal abria novas rotas para o seu com\u00e9rcio mar\u00edtimo e para a \u201cdilatar a f\u00e9 e o imp\u00e9rio\u201d. No caso de Cabral, por exemplo, o jornalista paulista Alexandre Versignassi, autor do livro \u201cCrassh\u201d (finalista do Pr\u00eamio Jabuti) afirma que Cabral foi contratado por negociantes da alta burguesia de Portugal e da It\u00e1lia para descobrir novas rotas para a \u00edndia por 10 mil cruzados, algo como 5 milh\u00f5es de reais, hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>Tanto que ao deixar o litoral baiano em 2 de maio de 1500 \u2013 aten\u00e7\u00e3o: eles s\u00f3 ficaram aqui 11 dias, de 22 de abril a 2 de maio \u2013 a armada levantou velas rumo ao sul e dali seguiu em dire\u00e7\u00e3o ao seu objetivo principal: atingir Calcut\u00e1, nas \u00cdndias.<\/p>\n\n\n\n<p>Adiante: na travessia da Torre de Bel\u00e9m, em Lisboa, para o Monte Pascoal, no sul da Bahia, Cabral veio com 1.500 homens, distribu\u00eddos irregularmente em tr\u00eas caravelas (naves menores e mais \u00e1geis) e dez naus, pesando cerca de 250 toneladas o todo.<\/p>\n\n\n\n<p>Cabral foi o primeiro navegador portugu\u00eas a utilizar o astrol\u00e1bio.<\/p>\n\n\n\n<p>E 65 mil litros de vinho P\u00eara-Manca (*). At\u00e9 porque a expedi\u00e7\u00e3o de Cabral (como a de outros conquistadores) era uma aventura de t\u00e3o alta taxa de risco que para minimiz\u00e1-la Cabral trouxe tamb\u00e9m, a bordo, ton\u00e9is contendo o fermentado das uvas Anta\u00e3o Vaz e Arinto. Que que n\u00e3o se destinavam exclusivamente ao brinde da rapaziada! N\u00e3o. Essa provis\u00e3o tamb\u00e9m servia para preparar e higienizar alimentos, consagrar o sangue de Cristo durante as missas di\u00e1rias celebradas em cada uma das 13 naus da esquadra e, enfim, manter o moral dos oficiais.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 que o vinho se deteriorou \u201cao sabor\u201d dos solavancos de 44 dias (partiram a 9 de mar\u00e7o) sobre as ondas e &#8230; sabem quem percebeu de cara que o vinho tinha virado uma zurrapa? Os \u00edndios tupis-guaran\u00eds que foram recepcionar o bravo navegador portugu\u00eas em Porto Seguro. Foi assim: na melhor tradi\u00e7\u00e3o de \u201cCasa Portuguesa, com certeza\u201d, Cabral convidou um cacique e alguns \u201corigin\u00e1rios\u201d para subirem a bordo da Nau Capit\u00e2nea. E lhes ofereceu o P\u00eara-Manca dispon\u00edvel. Pois bem: o cacique, primeiro, depois os demais,&nbsp; provaram o mosto fermentado desse corte de uvas Ant\u00e2o Vaz e Arinto e cuspiram em esguicho pelo tombadilho. Ou seja, mesmo \u201cselvagens\u201d, eles preferiam o Cauim, o fermentado de mandioca, do que o P\u00eara-Manca avinagrado!<\/p>\n\n\n\n<p>Ep\u00edlogo de humor: o Mill\u00f4r Fernandes garantia que ao gritar \u201cterra \u00e0 vista\u201d, Cabral ouviu em un\u00edssono: \u201cn\u00e3o, a prazo\u201d!<\/p>\n\n\n\n<p>(*) O nome P\u00eara-Manca deriva de \u201cpedra manca\u201d (ou oscilante), uma forma\u00e7\u00e3o gran\u00edtica de blocos arredondados em desequil\u00edbrio sobre a rocha firme. Trata-se, portanto, de uma topon\u00edmia. E o que veio nos visitar em 1500 n\u00e3o \u00e9 nem de longe o ic\u00f4nico alentejano de hoje, produzido atualmente pela competente Funda\u00e7\u00e3o Eug\u00e9nio de Almeida desde 1990. E custa uma fortuna.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Assuntos-culturais_vice-Reinaldo-Paes-Barreto-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5005\" style=\"width:321px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Assuntos-culturais_vice-Reinaldo-Paes-Barreto-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Assuntos-culturais_vice-Reinaldo-Paes-Barreto-600x400.jpg 600w, https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Assuntos-culturais_vice-Reinaldo-Paes-Barreto-300x200.jpg 300w, https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Assuntos-culturais_vice-Reinaldo-Paes-Barreto-768x512.jpg 768w, https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Assuntos-culturais_vice-Reinaldo-Paes-Barreto.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Reinaldo Paes Barreto tamb\u00e9m \u00e9 assessor da diretoria do INPI<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Reinaldo Paes Barreto &#8211; membro do Conselho Empresarial de Cultura da ACRJ<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":24836,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-24814","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24814","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24814"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24814\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/24836"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24814"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24814"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24814"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}