{"id":24516,"date":"2024-04-15T07:27:35","date_gmt":"2024-04-15T10:27:35","guid":{"rendered":"https:\/\/acrj.org.br\/?p=24516"},"modified":"2026-04-07T12:16:17","modified_gmt":"2026-04-07T15:16:17","slug":"o-rio-nao-pode-abandonar-seus-hospitais-federais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/2024\/04\/15\/o-rio-nao-pode-abandonar-seus-hospitais-federais\/","title":{"rendered":"O Rio n\u00e3o pode abandonar seus hospitais federais"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Josier Vilar, presidente da ACRJ. Artigo publicado no Jornal O Globo <\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos dias, vem sendo noticiado que o Governo Federal vai decretar estado de emerg\u00eancia para resolver a crise da rede hospitalar federal no Rio de Janeiro. Nada mais equivocado. N\u00e3o existe crise nem rede hospitalar federal no Rio. Crise, significa um problema agudo, acidente repentino, colapso ou decl\u00ednio s\u00fabito. N\u00e3o \u00e9 o caso dos hospitais federais do Rio de Janeiro &#8211; Ipanema, Lagoa, Andara\u00ed, Cardoso Fontes, Servidores e Bonsucesso. Nesses, existe sim uma longa, progressiva e leniente destrui\u00e7\u00e3o de um dos maiores patrim\u00f4nios da sa\u00fade brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>O rec\u00e9m lan\u00e7ado livro \u201cSUS uma biografia\u201d, de Luiz Antonio Santini e Cl\u00f3vis Bulc\u00e3o, mostra o decl\u00ednio dessa estrutura hospitalar e como ela foi sendo progressivamente desorganizada e sucateada em raz\u00e3o de disputas pol\u00edticas no Rio de Janeiro. Apresenta com muita profundidade como foi a incorpora\u00e7\u00e3o ao SUS desses hospitais criados para atender diversas categorias profissionais e que durante muitos anos, foram fonte de conhecimento, de qualidade assistencial e de forma\u00e7\u00e3o profissional de refer\u00eancia nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>M\u00e9dicos como Stanislaw Kaplan, Jose Hil\u00e1rio, Amarino de Oliveira, Fernando Paulino, Fernando Barroso, Nildo Aguiar, Aloisio Sales da Fonseca, Mario Kroeff, Theobaldo Vianna, Vera Cordeiro, Pedro Abdalla e tantos outros foram inspiradoras refer\u00eancias para in\u00fameras gera\u00e7\u00f5es que os sucederam.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, o que se convencionou chamar equivocadamente de rede federal vem, progressivamente, perdendo sua relev\u00e2ncia pelo sucateamento tecnol\u00f3gico, subfinanciamento, inexist\u00eancia de investimentos para sua moderniza\u00e7\u00e3o e inadaptabilidade arquitet\u00f4nica de alguns desses hospitais \u00e0s atuais exig\u00eancias sanit\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Aquilo que chamam de rede, \u00e9 um aglomerado de hospitais, sem qualquer integra\u00e7\u00e3o entre eles, modelo de governan\u00e7a e gest\u00e3o focado no desenvolvimento de m\u00e9tricas e metas, sem programa de qualifica\u00e7\u00e3o profissional e identidade pr\u00f3pria. Como chamar de rede, um conjunto de institui\u00e7\u00f5es que n\u00e3o est\u00e3o integradas nem t\u00e9cnica e nem administrativamente?<\/p>\n\n\n\n<p>A solu\u00e7\u00e3o passa, necessariamente, pela cria\u00e7\u00e3o de uma rede, com integra\u00e7\u00e3o de banco de dados, pela defini\u00e7\u00e3o da voca\u00e7\u00e3o assistencial de cada um, um backoffice \u00fanico, atrav\u00e9s de um centro de servi\u00e7os que compartilhe gest\u00e3o de compras, estoque, contas a pagar e receber e gest\u00e3o de pessoas, reduzindo assim os custos operacionais, desperd\u00edcios e ganhando efici\u00eancia e economia de escala.<\/p>\n\n\n\n<p>Como existe uma grande resist\u00eancia a mudan\u00e7as, entendemos que a melhor solu\u00e7\u00e3o para esse novo modelo de governan\u00e7a seria o governo estruturar uma parceria p\u00fablico-privada, transferindo para o setor privado a manuten\u00e7\u00e3o predial e gest\u00e3o operacional, seguindo o exitoso modelo existente em outros pa\u00edses como Espanha e Portugal.<\/p>\n\n\n\n<p>O Rio n\u00e3o pode abandonar seus hospitais federais. Precisamos de uma verdadeira rede sem crises e problemas cr\u00f4nicos. Torcemos para que a ministra da Sa\u00fade Nisia Trindade e sua equipe garantam um futuro de governan\u00e7a exemplar, com transforma\u00e7\u00e3o digital, e de retorno ao protagonismo na qualidade assistencial e na forma\u00e7\u00e3o de profissionais que foram motivo de orgulho nacional no passado.<\/p>\n\n\n\n<p>O Rio agradece.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Josier Vilar<\/strong> &#8211; <strong>M\u00e9dico, Presidente da Associa\u00e7\u00e3o Comercial do Rio de Janeiro &#8211; ACRJ<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Publicado no <a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/opiniao\/artigos\/coluna\/2024\/04\/o-rio-nao-pode-abandonar-seus-hospitais-federais.ghtml?utm_source=aplicativoOGlobo&amp;utm_medium=aplicativo&amp;utm_campaign=compartilhar\"><strong>Jornal O Globo<\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Josier Vilar, presidente da ACRJ. 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