{"id":2363,"date":"2017-11-16T17:14:00","date_gmt":"2017-11-16T19:14:00","guid":{"rendered":"http:\/\/acrj2020.profissional.ws\/?p=2363"},"modified":"2021-01-28T10:49:21","modified_gmt":"2021-01-28T13:49:21","slug":"para-que-a-eletrobras-nao-vire-um-monstro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/2017\/11\/16\/para-que-a-eletrobras-nao-vire-um-monstro\/","title":{"rendered":"Para que a Eletrobras n\u00e3o vire um monstro"},"content":{"rendered":"\n<p>O modelo de privatiza\u00e7\u00e3o proposto desvaloriza a empresa quando imp\u00f5e cl\u00e1usulas repelidas pelo mercado e pela boa governan\u00e7a<br>&nbsp;&nbsp;<br>O governo anuncia uma criativa proposta de privatiza\u00e7\u00e3o da Eletrobras dif\u00edcil de explicar sob a perspectiva de um neg\u00f3cio atraente: ficar\u00e1 com 40% da empresa, mas seus votos corresponder\u00e3o a somente 10%; buscam-se compradores como investidores financeiros (n\u00e3o permanentes) que, sabidamente, n\u00e3o s\u00e3o os que pagam mais \u2014 em detrimento dos investidores estrat\u00e9gicos. Observo, ainda, que o modelo proposto desvaloriza a empresa quando imp\u00f5e cl\u00e1usulas repelidas pelo mercado e pela boa governan\u00e7a, tipo: conservar na m\u00e3o do governo a presid\u00eancia do conselho de administra\u00e7\u00e3o; garantir ao governo um poder de veto para impedir decis\u00f5es que afetem a sua estrat\u00e9gia; obriga\u00e7\u00e3o de manter as sedes das empresas controladas em Florian\u00f3polis, Bras\u00edlia, Recife e Rio de Janeiro. Definitivamente, n\u00e3o \u00e9 um bom come\u00e7o. Vejamos o que mais vir\u00e1 quando o Congresso vier a debater a proposta.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 um enorme capital intang\u00edvel na forma da cultura empresarial desenvolvida nas empresas controladas da Eletrobras. Em seus primeiros anos, tais empresas foram geridas pelos melhores quadros t\u00e9cnicos, seguindo uma hierarquia meritocr\u00e1tica, de grande qualifica\u00e7\u00e3o \u2014 o que ainda \u00e9 poss\u00edvel se ver, apesar da intensa manipula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos \u00faltimos anos. Bem administradas, poder\u00e3o se recuperar em pouco tempo. A Chesf, por exemplo, tem uma cultura amparada na singularidade do Rio S\u00e3o Francisco e os m\u00faltiplos usos da \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p>Furnas \u00e9 bem diferente. Nascida para garantir o suprimento de energia na Regi\u00e3o Sudeste, por duas d\u00e9cadas foi presidida por John Cotrim e formou a gera\u00e7\u00e3o que construiu Itaipu. A Eletronorte, mais recente, construiu Tucuru\u00ed, a maior usina 100% brasileira. Chegou a desenvolver metodologias de trabalho preservacionistas para atuar na complexa Regi\u00e3o Amaz\u00f4nica. A Eletrosul foi j\u00e1 privatizada parcialmente nos anos 90. A enorme compet\u00eancia de seus quadros t\u00e9cnicos foi comprovada por quem adquiriu ali participa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A privatiza\u00e7\u00e3o de tais empresas deve respeitar sua integridade e se ver orientada para compradores estrat\u00e9gicos. Deve ser procurado o comprador que veja o real valor da(s) empresa(s), n\u00e3o aquele que compra, arruma superficialmente o balan\u00e7o, demite milhares sem crit\u00e9rio e parte rapidamente. O momento pede que o governo imponha a gest\u00e3o integrada das bacias hidrogr\u00e1ficas e que a Eletrobras conserve suas atribui\u00e7\u00f5es constitucionais (aproveitamentos internacionais e termonucleares).<\/p>\n\n\n\n<p>Dois outros aspectos s\u00e3o oportunos: primeiro, por imperativo t\u00e9cnico, os sistemas de transmiss\u00e3o devem ser desmembrados em empresas regionais e licitados separadamente. Vemos que o setor de gera\u00e7\u00e3o est\u00e1 cada vez mais regionalizado, e isto obriga a uma nova topologia de redes de transmiss\u00e3o. A previs\u00edvel duplica\u00e7\u00e3o do mercado em duas d\u00e9cadas far\u00e1 com que Itaipu atenda a apenas uns 30% da Regi\u00e3o Sul em breve.<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo aspecto tem a ver com a propalada ideia da corporation, talvez aplic\u00e1vel para as controladas futuramente. S\u00e3o pouqu\u00edssimos os bons exemplos de tal estrutura no Brasil de hoje. Partir \u00e0s pressas para fazer isso na Eletrobras \u00e9 querer criar uma outra Oi, altamente endividada, ingovern\u00e1vel com grupos se digladiando, fisicamente at\u00e9, em reuni\u00f5es de conselho.<\/p>\n\n\n\n<p>Que haja ju\u00edzo e se impe\u00e7a a exist\u00eancia de uma monstruosa companhia de amplitude nacional na m\u00e3o de investidores tempor\u00e1rios e oportunistas. N\u00e3o \u00e9 exagero afirmar que este modelo cria uma institui\u00e7\u00e3o com enorme poder e com grande peso na vida econ\u00f4mica e pol\u00edtica da sociedade. Fica evidente que esta estrutura representa, por si s\u00f3, uma amea\u00e7a \u00e0 nossa democracia e merece urgente revis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Artigo publicado no Jornal O Globo<br><\/strong><a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/opiniao\/para-que-eletrobras-nao-vire-um-monstro-22069590#ixzz4yccn0ktOstest\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Clique aqui para ler o artigo na \u00edntegra<\/em><\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-medium-font-size\"><strong>Jos\u00e9 Luiz Alqu\u00e9res<\/strong><br>ex-presidente e conselheiro da Associa\u00e7\u00e3o Comercial do Rio de Janeiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O modelo de privatiza\u00e7\u00e3o proposto desvaloriza a empresa quando imp\u00f5e cl\u00e1usulas repelidas pelo mercado e pela boa governan\u00e7a&nbsp;&nbsp;O governo anuncia uma criativa proposta de privatiza\u00e7\u00e3o&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2364,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-2363","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2363","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2363"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2363\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2364"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2363"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2363"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2363"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}