{"id":23330,"date":"2024-03-01T09:00:00","date_gmt":"2024-03-01T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/acrj.org.br\/?p=23330"},"modified":"2025-03-02T07:51:38","modified_gmt":"2025-03-02T10:51:38","slug":"o-rio-de-janeiro-e-sao-sebastiao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/2024\/03\/01\/o-rio-de-janeiro-e-sao-sebastiao\/","title":{"rendered":"O Rio de Janeiro e S\u00e3o Sebasti\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por Reinaldo Paes Barreto \u2013 membro do Conselho Empresarial de Cultura da ACRJ<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O nome oficial da capital carioca, que faz anivers\u00e1rio neste 1\u00ba de mar\u00e7o, \u00e9 de uma grandiloqu\u00eancia que n\u00e3o combina com a informalidade de nossa gente: S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro. Ali\u00e1s, por que essa associa\u00e7\u00e3o entre o santo e a cidade? Tenho duas hip\u00f3teses. A primeira, devido a uma esp\u00e9cie de \u201cgratid\u00e3o religiosa\u201d, ou seja, segundo a lenda, S\u00e3o Sebasti\u00e3o teria sido visto lutando ao lado dos portugueses contra os franceses e os \u00edndios tamoios na batalha final de 1567, pondo fim ao projeto ultramarino da monarquia francesa de fundar aqui a Fran\u00e7a Ant\u00e1rtica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E a segunda, a meu ver a mais prov\u00e1vel, pelo fato que o rei de Portugal (embora ainda menino) era o lend\u00e1rio Dom Sebasti\u00e3o, o qual, por sua vez, tinha esse primeiro nome em homenagem ao santo. E a quem, obviamente, Mem e Est\u00e1cio de S\u00e1 deviam obedi\u00eancia &#8230; e puxa-saquismo. Da\u00ed o batismo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas expulsos os invasores, a cidade foi fundada e tornou-se o centro comercial e pol\u00edtico do Brasil-Col\u00f4nia e, na sequ\u00eancia, sede da Coroa de Portugal, depois do imp\u00e9rio brasileiro, da rep\u00fablica, e dos estados da Guanabara e, agora, do RJ. E nos tornamos uma cidade-refer\u00eancia que durante duzentos anos ditou a moda no Brasil. Literalmente. E n\u00e3o s\u00f3 a moda, mas o samba tradicional e a bossa nova, importantes universidades, (Direito, Medicina, Engenharia, Arquitetura, M\u00fasica, Artes e Of\u00edcios) e era ponto de converg\u00eancia de todos os movimentos culturais e art\u00edsticos do pa\u00eds. Al\u00e9m de matriz da editora\u00e7\u00e3o, do jornalismo, da propaganda, da radiodifus\u00e3o e do \u201cfazer pol\u00edtica\u201d. E, na outra ponta, o Rio foi, tamb\u00e9m, o endere\u00e7o de importantes multinacionais, dos grandes bancos e seguradoras, das embaixadas estrangeiras e de organismos internacionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Chega? N\u00e3o. Faltou dizer que fomos (ainda somos?) \u201ca sede\u201d do petr\u00f3leo e g\u00e1s, da eletricidade, da ind\u00fastria farmac\u00eautica, da cosm\u00e9tica, da propriedade intelectual e do melhor da caricatura, das charges, cartoons e do papo de botequim.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas veio a mudan\u00e7a do DF para Bras\u00edlia, pouco depois a fus\u00e3o com o antigo Estado do Rio e, parodiando o Chico, \u201co sangue errou de veia e se perdeu\u201d. Governo e os setores produtores n\u00e3o foram capazes de criar a tempo a Ind\u00fastria Criativa, como a chamou pela primeira vez a Asp\u00e1sia Camargo, nem criar incentivos fiscais capazes de reter os bancos de investimento, a Bolsa de Valores, as cias. a\u00e9reas e um turismo de neg\u00f3cios inovador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E como n\u00e3o resolve nem surtos nost\u00e1lgicos, nem polianismo, o que precisamos \u00e9 o que preconiza, por exemplo, o atual presidente da ACRJ, Josier Vilar. Mobilizar todos \u201cos atores\u201d atuais com capacidade de (re)agir e\/ou empreender solu\u00e7\u00f5es a partir das ferramentas que a tecnologia de ponta e a IA nos propicia: seguran\u00e7a de dados, seguran\u00e7a jur\u00eddica, bairros inteligentes, servi\u00e7os computadorizados e eficazes, algoritmos a servi\u00e7o da infra urbana, medicina diagn\u00f3stica para a maioria da popula\u00e7\u00e3o, ensino fundamental com novas \u201cgrades\u201d (propriedade intelectual, sa\u00fade preventiva, alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, consci\u00eancia do coletivo), e novos atrativos para o turismo &#8211; sobretudo o de curta dist\u00e2ncia &#8211; para o Rio voltar a ser uma cidade 4.0, inclusiva, amig\u00e1vel para os grupos LGBT e \u201cpets\u201d e,\u00a0 em suma,\u00a0 boa para se viver, \u00a0se trabalhar, se divertir &#8230; \u00a0e para ganhar dinheiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Insistir na tese da \u201ccidade mais bonita do mundo\u201d e\/ou aplaudir o p\u00f4r-do-sol em Ipanema \u00e9 como tratar uma doen\u00e7a grave com Maravilha Curativa. At\u00e9 porque concordo com o Zeca Pagodinho: \u201ccamar\u00e3o que dorme, a onda leva&#8230;\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Reinaldo Paes Barreto tamb\u00e9m \u00e9 assessor da diretoria do INPI<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Reinaldo Paes Barreto \u2013 membro do Conselho Empresarial de Cultura da ACRJ<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":11131,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-23330","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23330","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23330"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23330\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11131"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23330"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23330"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23330"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}