{"id":22044,"date":"2023-12-29T14:44:37","date_gmt":"2023-12-29T17:44:37","guid":{"rendered":"https:\/\/acrj.org.br\/?p=22044"},"modified":"2023-12-29T14:45:28","modified_gmt":"2023-12-29T17:45:28","slug":"prosecco-espumante-ou-champagne","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/2023\/12\/29\/prosecco-espumante-ou-champagne\/","title":{"rendered":"Prosecco, espumante ou champagne"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Reinaldo Paes Barreto &#8211; membro do Conselho Empresarial de Cultura da ACRJ&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Aproxima-se a noite do R\u00e9veillon e quase todo mundo pensa em \u201cespumante\u201d, que \u00e9 a bebida da celebra\u00e7\u00e3o, do <em>pra cima<\/em>, do espoucar das rolhas acordando um novo ano. R\u00e9veiller, em franc\u00eas, \u00e9&nbsp; despertar.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas muita gente n\u00e3o sabe a diferen\u00e7a entre os tr\u00eas e chama todos os vinhos com bolhas de \u201cprosecco\u201d. Ora, \u00e9 como chamar todas as l\u00e2minas de Gillete, todas as esferogr\u00e1ficas de Bic ou todos os analg\u00e9sicos de Aspirina.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas vamos l\u00e1. Prosecco \u00e9 o nome de um tipo de uva, origin\u00e1ria do V\u00eaneto, no norte da It\u00e1lia, cultivada na regi\u00e3o h\u00e1 mais de um s\u00e9culo e com a qual alguns produtores elaboravam (e cada vez mais) esse espumante gasoso, consumido durante muito tempo quase que exclusivamente por ali mesmo (Treviso, Veneza, P\u00e1dua). At\u00e9 que l\u00e1 pelo fim dos anos 1980 algum barman mais criativo, de um dos barezinhos da Pra\u00e7a de S\u00e3o Marcos, resolveu preparar um drinque, misturando tr\u00eas dedos de Prosecco, com outros tr\u00eas de Aperol e completando a ta\u00e7a com \u00e1gua t\u00f4nica e uma fatia de laranja na borda. Pegou imediatamente! E virou moda. Mas sorte \u00e9 sorte e na virada do ano 2000, o R\u00e9veillon do S\u00e9culo, algum marqueteiro \u201cvendeu\u201d o conceito que o Prosecco era uma esp\u00e9cie de champagne jovem, descontra\u00edda, para se beber na praia, na piscina&#8230;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E o consumo explodiu mundo afora.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A\u00ed, e para evitar (n\u00e3o conseguiram!) que outros produtores de outras regi\u00f5es &#8212; e at\u00e9 outros pa\u00edses, como o Brasil &#8212; se beneficiassem do estrondoso sucesso do Prosecco, em 2009 as vin\u00edcolas mais estruturadas solicitaram ao \u201cConsorzio di Tutela della Denominazione di Origine\u201d licen\u00e7a para mudarem o nome da uva-base para Glera, e que toda a regi\u00e3o passasse ent\u00e3o a chamar-se Prosecco, o que pela legisla\u00e7\u00e3o brasileira (*) seria uma IG (Indica\u00e7\u00e3o Geogr\u00e1fica).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Por isso, muita gente (boa), repito, acha que \u201cprosecco\u201d \u00e9 o gen\u00e9rico de espumante. E n\u00e3o \u00e9. Embora haja excelentes \u201cvini spumanti\u201d feitos com a uva Glera, como o Prosecco Superiore de Valdobbiadene, bastante caro porque \u00e9 exclusivamente produzido nas colinas \u201cdi Conegliano\u201d, ao norte de Treviso, no V\u00eaneto.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 os <em>verdadeiros<\/em> espumantes s\u00e3o vinhos bem mais complexos, porque s\u00e3o produzidos pela fermenta\u00e7\u00e3o de tr\u00eas tipos de uvas. Ou, pelo menos, duas. Uma branca, quase sempre a Chardonnay e uma ou duas tintas. Na Fran\u00e7a, essas duas tintas costumam ser as mesma utilizadas para o Champagne: a Pinot Noir e a Pinot Meunier.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E s\u00e3o conhecidos por v\u00e1rios nomes. Na Espanha, eles chamam de \u201ccava\u201d; na Fran\u00e7a de \u201cmousseux\u201d ou \u201ccr\u00e9mant\u201d; nos pa\u00edses anglo, de \u201csparkling\u201d; na It\u00e1lia, de \u201cspumante\u201d ou \u201cfizzante\u201d; na Alemanha de \u201csekt\u201d; e n\u00f3s, e os hisp\u00e2nicos, de \u201cespumante\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente o Champagne. \u00c9 um super-espumante, de alt\u00edssima qualidade e protegid\u00edssimo por uma legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica e rigorosa. A lei de 1911 tem como objetivo garantir que s\u00f3 podem ser chamados de Champagne, os vinhos elaborados com essas tr\u00eas castas, plantadas e colhidas nessa regi\u00e3o delimitada contendo, obrigatoriamente, a palavra Champagne no r\u00f3tulo, nas caixas, nas embalagens e nas rolhas. Al\u00e9m de uma s\u00e9rie de outras exig\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o Champagne (em franc\u00eas \u00e9 masculino), n\u00e3o \u00e9 apenas um vinho espumante. \u00c9 uma lenda. Um patrim\u00f4nio da Fran\u00e7a que o imagin\u00e1rio coletivo identifica como s\u00edmbolo de poder (brinde dos dos chefes de estado), da vit\u00f3ria (podium do vencedores de F\u00f3rmula Um) e da sensuualidade (filmes, romances).<\/p>\n\n\n\n<p>Ou da poesia, se preferirem. Tanto que o \u201cinventor\u201d do Champagne, o monge Don P\u00e9rignon, teria comentado ao prov\u00e1-lo: \u201cestou bebendo estrelas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Uma curiosidade. As primeiras garrafas de champagne Veuve Clicquot chegaram ao Rio de Janeiro em 1826, importadas pessoalmente por D. Pedro I, em carta de pr\u00f3prio punho \u00e0 Veuve Clicquot.<\/p>\n\n\n\n<p>(*) Segundo o meu colega Gustavo Novis, da diretoria de Marcas do INPI, o \u201cConsorzio Tutela Vino Prosecco di Conegliano-Valdobbiadene\u201d requereu ao nosso Instituto um pedido de IG para PROSECCO, no Brasil. Est\u00e1 em exame.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Assuntos-culturais_vice-Reinaldo-Paes-Barreto-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5005\" style=\"width:237px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Assuntos-culturais_vice-Reinaldo-Paes-Barreto-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Assuntos-culturais_vice-Reinaldo-Paes-Barreto-600x400.jpg 600w, https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Assuntos-culturais_vice-Reinaldo-Paes-Barreto-300x200.jpg 300w, https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Assuntos-culturais_vice-Reinaldo-Paes-Barreto-768x512.jpg 768w, https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Assuntos-culturais_vice-Reinaldo-Paes-Barreto.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Reinaldo Paes Barreto \u00e9 assessor da DIREX no INPI e cronista de vinhos e gastronomia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Reinaldo Paes Barreto &#8211; membro do Conselho Empresarial de Cultura da ACRJ\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":22045,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-22044","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22044","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22044"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22044\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22045"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22044"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22044"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22044"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}