{"id":16311,"date":"2023-06-12T11:15:39","date_gmt":"2023-06-12T14:15:39","guid":{"rendered":"https:\/\/acrj.org.br\/?p=16311"},"modified":"2023-06-12T11:16:25","modified_gmt":"2023-06-12T14:16:25","slug":"vinho-e-meio-ambiente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/2023\/06\/12\/vinho-e-meio-ambiente\/","title":{"rendered":"Vinho e meio ambiente"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Por Reinaldo Paes Barreto<\/strong> &#8211; vice-presidente do Conselho Empresarial de Assuntos Culturais da ACRJ<\/p>\n\n\n\n<p>O ciclo do vinho \u2013 da parreira \u00e0 ta\u00e7a do consumidor \u2013 ter\u00e1 que passar por um quarto realinhamento com o seu (nosso) tempo. O primeiro, foi a sa\u00edda das \u00e2nforas para a garrafa de 75 cl, com rolhas de corti\u00e7a; o segundo, o pulo \u201cverde\u201d para a produ\u00e7\u00e3o de vinhos org\u00e2nicos; o terceiro, um audacioso passo ecol\u00f3gico: a produ\u00e7\u00e3o de biodin\u00e2micos. Este quarto movimento ser\u00e1 enquadrar-se na moldura do conceito ESG, que em tradu\u00e7\u00e3o simplificada expressa uma nova atitude empresarial: o respons\u00e1vel comprometimento com o Ambiental, Social e Governan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou, seja, conectar objetivos interdependentes da cadeia produtiva, de forma a reformular a estrutura da empresa (vin\u00edcolas) e do consumidor (estabelecimentos comerciais e o usu\u00e1rio final).<\/p>\n\n\n\n<p>De que maneira? Do ponto de vista ambiental, reduzindo o impacto que a produ\u00e7\u00e3o acarreta ao meio ambiente pelo uso de fertilizantes e pesticidas, reduzindo a pegada do carbono (o vidro e o transporte), o desperd\u00edcio h\u00eddrico e a gest\u00e3o de res\u00edduos. No social, maior aten\u00e7\u00e3o ao agricultor, \u201caos oper\u00e1rios do vinho\u201d, \u00e0s suas fam\u00edlias e \u00e0s comunidades do entorno, a\u00ed inclu\u00edda resumidamente uma pol\u00edtica de respeito \u00e0 diversidade de g\u00eaneros, direitos trabalhistas, seguran\u00e7a digital, alimentar e sanit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas algumas solu\u00e7\u00f5es n\u00e3o precisam ser (re)inventadas, porque j\u00e1 existem \u2013 e funcionam. &nbsp;A primeira delas, \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o de vinhos <strong>Org\u00e2nicos<\/strong>. S\u00e3o aqueles&nbsp;cujas uvas foram cortadas de parreiras sobre as quais n\u00e3o se usaram agrot\u00f3xicos, herbicidas, pesticidas e outras qu\u00edmicas, para combater as pragas, e corrigir o solo. Tanto assim, que no cultivo de vinhas org\u00e2nicas, as ervas daninhas que crescem ao lado do parreiral s\u00e3o comidas por gansos e usam-se vespas para combater as aranhas que furam as uvas, al\u00e9m do retorno \u00e0 praticas testadas pela \u201csabedoria da Terra\u201d: plantar os parreirais nas encostas que d\u00e3o para o leste, (o sol da manh\u00e3 \u00e9 bactericida), cultivar rosas na ponta das fileiras, porque a praga as ataca primeiro, acendendo o sinal amarelo, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda e mais radical, \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o de vinhos <strong>Biodin\u00e2micos. <\/strong>Eles s\u00e3o produtos de parreiras cujo&nbsp;cultivo&nbsp;\u00e9 quase m\u00edstico, porque esses \u201cpoetas da vinha\u201d n\u00e3o abra\u00e7am s\u00f3 um sistema de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola,&nbsp;mas uma filosofia de vida,&nbsp;segundo a&nbsp;qual &#8212; como na moderna medicina &#8212; o projeto existencial deve se orientar para a preven\u00e7\u00e3o e n\u00e3o para a doen\u00e7a. E o lado ex\u00f3tico, (bizarro, como diriam os meus netos) \u00e9 que o modelo biodin\u00e2mico de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola obedece \u00e0 influ\u00eancia de for\u00e7as c\u00f3smicas, em especial da Lua e do Sol para determinar os movimentos e o \u201ctiming\u201d do ciclo produtivo do vinho: plantio, poda, fertiliza\u00e7\u00e3o, colheita, vinifica\u00e7\u00e3o e engarrafamento. Na seca, utilizam-se algas marinhas; nas floradas, arnica; na \u201cdoen\u00e7a\u201d, homeopatia.<\/p>\n\n\n\n<p>E mais: em c\u00e9lebres vin\u00edcolas como \u201cLa Domaine de La Roman\u00e9e Conti, na Borgonha; em Montalcino, na Toscana e \u2013 sim senhores! \u2013 no Vale dos Vinhedos, na serra ga\u00facha, a planta\u00e7\u00e3o de uvas reage feliz ao repert\u00f3rio cl\u00e1ssico de Mozart e Debussy, em composi\u00e7\u00f5es escolhidas para serem executadas por cordas e piano, j\u00e1 que \u00f3peras e grandes orquestras estressam o parreiral.<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente, falta agregar o elo que precisa ser melhor trabalhado: o consumidor final, para que responda \u00e0 essa revolu\u00e7\u00e3o com o seu exemplo, a sua firmeza na escolha (e exclus\u00e3o) da origem dos vinhos e um criterioso consumo da bebida.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 assim poderemos sonhar com a continua\u00e7\u00e3o limpa, sadia e prazerosa desse produto b\u00edblico \u2013 o vinho &#8212; que junto com o linho, o trigo e a oliveira v\u00eam atravessando os s\u00e9culos na ta\u00e7a de nossos av\u00f3s, pais, filhos, netos, bisnetos &#8212; e h\u00e1 de brilhar no\u00a0cacho de uvas que vai nascer generoso e correto &#8212; no ano 3000.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Assuntos-culturais_vice-Reinaldo-Paes-Barreto-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5005\" width=\"345\" height=\"230\" srcset=\"https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Assuntos-culturais_vice-Reinaldo-Paes-Barreto-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Assuntos-culturais_vice-Reinaldo-Paes-Barreto-600x400.jpg 600w, https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Assuntos-culturais_vice-Reinaldo-Paes-Barreto-300x200.jpg 300w, https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Assuntos-culturais_vice-Reinaldo-Paes-Barreto-768x512.jpg 768w, https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Assuntos-culturais_vice-Reinaldo-Paes-Barreto.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 345px) 100vw, 345px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Reinaldo Paes Barreto tamb\u00e9m \u00e9 assessor do INPI e Embaixador do Turismo-Rio<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Reinaldo Paes Barreto &#8211; vice-presidente do Conselho Empresarial de Assuntos Culturais da ACRJ<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":16312,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-16311","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16311","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16311"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16311\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16312"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16311"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16311"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16311"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}