{"id":15457,"date":"2023-04-03T12:30:07","date_gmt":"2023-04-03T15:30:07","guid":{"rendered":"https:\/\/acrj.org.br\/?p=15457"},"modified":"2023-04-03T12:31:44","modified_gmt":"2023-04-03T15:31:44","slug":"a-mentira-hich-tech","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/2023\/04\/03\/a-mentira-hich-tech\/","title":{"rendered":"A Mentira Hich-Tech"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Reinaldo Paes Barreto \u2013 vice-presidente do Conselho Empresarial de Assuntos Culturais da ACRJ<\/p>\n\n\n\n<p>M\u00eas de abril come\u00e7a com a comemora\u00e7\u00e3o (?) do Dia da Mentira. Mas, creio que mentira no formato \u201cold fashion\u201d, isto \u00e9, uma inverdade, ou uma n\u00e3o-verdade, conforme o grau de inten\u00e7\u00e3o dolosa, praticada com o objetivo deliberado de enganar o(a) outro(a). Obviamente, e sendo o ser humano o que ele \u00e9 \u2013 para o bem e para o mal \u2013 falsear a verdade funciona em uma escala geom\u00e9trica de \u201cdensidade\u201d que vai da desculpa cl\u00e1ssica para justificar um atraso, ou at\u00e9 uma aus\u00eancia &#8230; \u00e0 oculta\u00e7\u00e3o de um cad\u00e1ver!<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, hoje, a presen\u00e7a cada vez mais \u201cperturbadora\u201d da Intelig\u00eancia Artificial dispon\u00edvel no arm\u00e1rio de ferramentas de manipula\u00e7\u00e3o da imagem e do som, de pessoas vivas \u2013 e mortas \u2013 j\u00e1 permite estabelecer um novo tipo de relacionamento pessoal e afetivo: <strong>a intimidade artificial<\/strong> (*). Ou seja, a rela\u00e7\u00e3o&nbsp; entre um ser humano e um(a) rob\u00f4, atrav\u00e9s de aplicativos como o Midjourney, o Dall-E, e outros \u201cservi\u00e7os da IA\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>No passado remoto, j\u00e1 havia registro de \u201cpatologias\u201d sexuais com bonecas infl\u00e1veis, por exemplo, mas era exce\u00e7\u00e3o candidata a cuidados psiqui\u00e1tricos. Na sequ\u00eancia, o instigante filme \u201cEla\u201d, lan\u00e7ado em 2013 e dirigido por Spike Jonze, j\u00e1 narrava a saga de um solit\u00e1rio escritor que se apaixona pelo sistema operacional de seu computador&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Era s\u00f3 um aperitivo! Muito recentemente, o surgimento do ChatGPT permite plagiar Cyrano de Bergerac (o brilhante <em>ghostwriter<\/em> de cartas de amor ardente, por encomenda) e creditar ao mais tosco escriba uma mensagem t\u00e3o bem escrita que \u00e9 capaz de abalar o casamento de uma psicanalista! Passo seguinte: novos aplicativos, como o Replika AI, prometem um amigo(a), e at\u00e9 um grande amor, \u201csempre pronto a te ouvir e compreender\u201d, j\u00e1 nos primeiros encontros. E, para isso, o usu\u00e1rio cria um avatar virtual, personalizado, que, durante as conversas utiliza t\u00e9cnicas de aprendizado e de processamento de linguagens, para aprender o mais poss\u00edvel sobre \u201ca pessoa\u201d e tornar-se um companheiro(a) cada vez mais ajustado \u00e0s necessidades \u201cdo outro(a)\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 \u201c<em>tenho uma namorada rob\u00f4 e sinto-me incondicionalmente amado<\/em> \u2026\u201d contou recentemente um escritor, de 37 anos, sobre sua persona \u201cBrooke\u201d, em entrevista an\u00f4nima ao portal Business Insider.<\/p>\n\n\n\n<p>Nem por acaso, atualmente, em todo o planeta h\u00e1 mais de meio milh\u00e3o de usu\u00e1rios ativos de aplicativos que prop\u00f5em a rela\u00e7\u00e3o \u201cdo humano\u201d com um <em>bot<\/em> inteligente. E isso come\u00e7a a preocupar o mundo. Qual o futuro previs\u00edvel: amigos virtuais, amantes digitais, algor\u00edtmicos \u201calcoviteiros\u201d, ado\u00e7\u00e3o de emojis como filhos?<\/p>\n\n\n\n<p>Tanto que no fim deste mar\u00e7o, mais de 2.400 signat\u00e1rios, capitaneados pelo bilion\u00e1rio Elon Musk, CEO da SpaceX, dono do Twitter e que ambiciona colonizar Marte, Jaan Tallinn, criador do Skype, Steve Wozniak, co-fundador da Apple e outros figur\u00f5es do ramo \u201chight-tech\u201d, assinaram uma lista com 23 princ\u00edpios que a humanidade dever\u00e1 observar e seguir, para nos blindar dos perigos da Intelig\u00eancia Artificial, nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Resumo da \u00f3pera: eu j\u00e1 come\u00e7o a ficar com saudades da mentirinha social, aquela que n\u00e3o prejudica \u201co outro\u201d; apenas evita machucar os mais fr\u00e1geis, &nbsp;como no caso da tia velha que pergunta: \u201cestou bem, hoje? E voc\u00ea: \u201clinda!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Indo adiante nessa linha, termino solid\u00e1rio com o poeta ga\u00facho M\u00e1rio Quintana, que versejou que \u201c(\u00e0s vezes) a mentira \u00e9 uma verdade que se esqueceu de acontecer\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>(*) Intimidade artificial, termo cunhado ou pelo fil\u00f3sofo alem\u00e3o Peter Sloterdijk ou pela psicoterapeuta belga-americana Esther Perel, tamb\u00e9m autora de um livro sobre Intelig\u00eancia Er\u00f3tica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Reinaldo Paes Barreto \u00e9 vice-presidente do Conselho Empresarial de Assuntos Culturais da ACRJ, colunista de gastronomia e vinhos e um dos embaixadores do Turismo do Rio<\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Reinaldo Paes Barreto \u2013 vice-presidente do Conselho Empresarial de Assuntos Culturais da ACRJ M\u00eas de abril come\u00e7a com a comemora\u00e7\u00e3o (?) do Dia da&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1446,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-15457","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15457","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15457"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15457\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1446"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15457"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15457"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15457"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}